08/04/2013
Cultura matemática
04/04/2013
Escola digital desafia `professor analógico`
Escola digital desafia `professor analógico`
PAULO SALDAÑA - O ESTADO DE SÃO PAULO - 03/04/2013 - SÃO PAULO, SP
A ideia de `professores analógicos` em escolas com `alunos digitais` sempre volta à tona quando o debate é a chegada da tecnologia na sala de aula. A diferença de gerações é essencial nessa relação, mas há uma crise que cabe principalmente ao poder público resolver: a formação dos docentes ainda não contempla essa nova realidade e desafios.
As lacunas de formação que faz com que professores cheguem às escolas já defasados em relação ao uso da tecnologia são sentidas pelas secretarias de Educação. `Graduações e licenciaturas atualmente em seu currículo tratam a tecnologia e seus recursos de maneira superficial, pois a formação desses profissionais dá-se a partir de embasamentos teóricos, não relacionando a prática com a real função das tecnologias na educação`, diz a presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação, Maria Nilene da Costa.
A educadora ressalta que a presença de recursos digitais vem avançando nas escolas do País, com projetos do Ministério da Educação (MEC) e também das esferas estaduais - o que pressiona o professor. `O docente que está iniciando a carreira ainda se depara com dificuldades de inserir o uso das tecnologias e recursos midiáticos de maneira interdisciplinar, reproduzindo ainda as aulas tradicionais.`
O maior desafio, para a presidente da União Nacionais dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleusa Repulho, é incorporar a tecnologia desde a formação inicial. `A tecnologia não está integradas nas faculdades e na sala de aula, é notória a angústia dos professores`, diz ela. `O segredo é fazer com que todos os professores entendam que isso é importante.` Cleusa lembra que cabe ao MEC induzir políticas públicas. A pasta informou que pretende oferecer capacitação a todos os cerca de 500 mil professores do ensino médio nos tablets que está distribuindo. Os cursos, voluntários, têm duração de quatro a seis meses e são semipresenciais.
Apesar de receber críticas sobre a distribuição de tablets sem que houvesse uma plataforma específica para seu uso, o ministro Aloizio Mercadante tem mostrado preocupação com a formação. Em entrevista ao Estado publicada ontem - quando se revelou que o ministério trabalha na criação dessa plataforma -, Mercadante reafirmou que a capacitação dos professores é a prioridade. O ministro já repetiu algumas vezes que os estudantes estão no século XXI, enquanto professores, no século XX.
Diferenças. Além de achar a comparação infeliz, o professor Nelson Pretto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), ressalta que a diferença de gerações entre professor e aluno sempre existiu e não é tão problemática. `O aluno é jovem e por natureza traz a novidade, o desafio. Se um dia for muito diferente é que teremos de nos preocupar.`
Especialista em educação e comunicação, Pretto concorda que a formação inicial precisa ser transformada, para que não se dependa tanto da capacitação em serviço. `Necessitamos de uma revolução na formação, mas ela tem de ser acompanhada por uma revolução nas condições de trabalho e salário. Não é possível termos tantas expectativas com a educação sabendo as condições dos professores.`
Professor da escola municipal Guiomar Cabral, de Pirituba, zona oeste de São Paulo, André Bastos, de 41 anos, lembra que aprendeu mexer no Power Point, programa de apresentações, porque um aluno o ensinou. Mas para ele, isso só pode ser positivo. `A educação é uma via de mão dupla, eu tenho de tirar vantagem disso. O bom é que o aluno fica ainda mais protagonista`, diz ele, professor de português há 20 anos. `E esse é um desafio permanente do professor. Ele sempre entra na sala sem saber onde uma pergunta vai levar a aula.` / COLABOROU CARLOS LORDELO
01/04/2013
China investe US$ 1,7 bilhão anualmente em educação em ciência
China investe US$ 1,7 bilhão anualmente em educação em ciência
FERNANDA MORENA - TERRA EDUCAÇÃO - 31/03/2013 - SÃO PAULO, SP
A China está destinando US$ 1,7 bilhão anuais para a educação em ciência. Esse montante, anunciado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, indica um acréscimo de 5,57% do aporte na área em relação a 2010. Metade do valor foi destinado à educação pública.
A medida faz parte do atual plano quinquenal chinês (conjunto de metas que nortearão o governo do país de 2011 a 2015) que prevê o investimento de US$ 1,6 trilhão no desenvolvimento das sete indústrias que se tornaram prioridades: energia alternativa; eficiência em energia; proteção ambiental; biotecnologia; TI avançada; desenvolvimento de veículos movidos com energia alternativa; e indústria de ponta (construção de máquinas).
Com o fim da indústria barata decretado pelo aumento dos salários e os encargos trabalhistas, a China deverá seguir um plano em conformidade a essa nova realidade. `A nossa nova liderança irá focar o desenvolvimento no impulso do desenvolvimento tecnológico`, afirmou Wang Qiang, diretor geral do Ministério de Ciência e Tecnologia da China durante evento sobre transferência tecnológica realizado na Universidade Tsinghua no início de março.
A Tsinghua é um dos grandes braços da intenção mandarim de um salto para a inovação científica. Com um orçamento de 4 bilhões de yuans anuais (cerca de R$ 1,27 bilhão) somado ao orçamento de 3 bilhões (R$ 959 milhões) do Tuspark, o parque tecnológico instalado no local, a universidade garante cerca de 10% do orçamento total destinado à inovação no país. E o plano de Pequim é que ela se torne a maior universidade mundial em 2020.
Com um sistema de ensino público sem ser gratuito (há anuidades pagas em todas as escolas que variam de 1000 yuans a dezenas de milhares em escolas internacionais), uma opção do governo tem sido investir em áreas alternativas que ofereçam espaços para futuros cientistas. A China tem hoje 1.681 salões públicos para atividades ligadas à ciência, que somam 500 quilômetros quadrados juntos (o equivalente a quase todo o território de Cingapura).
Para Wang Qiang, a educação de jovens cientistas é a base do desenvolvimento da indústria de ponta do país, que quer se afirmar como um desenvolvedor de soluções tecnológicas.
`Queremos que nossos filhos sejam engenheiros ou médicos. Algo que possa servir para ajudar o nosso país`, diz Li Penghua, de 35 anos, mãe de Sun Qiuqiu, de 11 anos. O menino está cursando o quinto ano do ensino fundamental na Escola Dongcheng Nº 2, na capital chinesa, e concorda com a mãe - em termos. `Seria legal ser médico, mas queria também ser astronauta`, revela.
Enquanto o Brasil procura a projeção de sua cadeia científica internacionalmente na fase já adulta, mandando pesquisadores ao exterior ou investindo R$ 155 milhões para atrair cientistas estrangeiros ao País, a China amplia seu setor de recursos humanos já na infância. Ainda que o sistema educacional chinês seja voltado para a preparação dos estudantes para a aprovação no gaokao (o exame feito nacionalmente para a graduação dos estudantes do ensino médio), o novo projeto científico chinês deverá prever a `criação de um gosto pela ciência desde o início da vida`.
Mesmo com a exorbitante carga horária enfrentada pelas crianças entre escola, tarefas de casa e aulas extracurriculares, ainda sobra tempo para aproveitar parques como o planetário. `Eu já fui com o meu pai várias vezes, mas mais nas férias, quando estou menos ocupado`, conta Sun.
Em 2010, a China foi a primeira no ranking mundial do Pisa, um teste que avalia a capacidade dos alunos do ensino médio em provas de leitura, matemática e ciência. A fama chinesa de um sistema de ensino rigoroso parece dar resultados: conforme o Instituto de Educação Internacional dos Estados Unidos, o país ultrapassou os tradicionais Canadá e Coreia do Sul em número de alunos enviados para as grandes universidades norte-americanas (MIT, Stanford, Yale, Harvard), com cerca de 100 mil jovens chineses matriculados.
Ainda que o país exporte centenas de milhares de jovens cientistas, a intenção do governo central é trazê-los de volta à China para liderarem pesquisas no setor de inovação. É o caso de Robin Li, o engenheiro e empresário que se tornou o homem mais rico da China em 2011 com o buscador de internet Baidu, criado por ele em 2000.
R$ 1,68 bilhão para educação
Governo abre crédito extraordinário de R$ 1,68 bilhão para educação
VALOR ONLINE - UOL ECONOMIA - 01/04/2013 - SÃO PAULO, SP
Enquanto não sanciona a peça orçamentária para 2013, aprovada no mês passado pelo Congresso, a presidente Dilma Rousseff abriu crédito extraordinário no valor de R$ 1,68 bilhão para o Ministério da Educação (MEC).
Conforme a Lei 12.791, publicada na edição de hoje do `Diário Oficial da União`, os recursos vão para o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies).
A fonte apontada é o superávit financeiro do governo federal de 2011, onde cerca de R$ 595,03 milhões seriam provenientes de loterias administradas pela Caixa Econômica Federal e os R$ 1,088 bilhão restantes de recursos próprios financeiros.
O Orçamento da União 2013 ainda não foi sancionado por Dilma, à espera de análise da área econômica sobre possíveis cortes em despesas agregadas pelos parlamentares.
Só depois que Dilma sanciona o Orçamento é que o Ministério do Planejamento anuncia a programação para a execução orçamentária do ano.
Impacto do conhecimento do professor no desempenho do aluno
Estudo mede impacto do conhecimento do professor no desempenho do aluno
PRISCILLA BORGES - IG ÚLTIMO SEGUNDO - 30/03/2013 - SÃO PAULO, SP
Medir o impacto do conhecimento do professor para o desempenho escolar do aluno pode soar, à primeira vista, uma tarefa difícil e sem sentido. Difícil porque os instrumentos para avaliar o quanto um docente conhece a disciplina que leciona são raros e, sem sentido porque, em tese, só ensina determinado assunto quem o conhece.
A pesquisadora Raquel Rangel Guimarães, que é estudante do doutorado em Demografia do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), porém, percebeu que esse era um fator importante para avaliar o aprendizado dos estudantes brasileiros e encontrou uma maneira de demonstrar isso.
Durante mestrado realizado na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, Raquel avaliou quais eram os fatores que, no Brasil, mais contribuíam para o bom desempenho escolar das crianças, medido por avaliações em grande escala. A qualificação do professor apareceu como determinante . O desafio seguinte foi verificar o tamanho desse impacto.
Raquel considerou, na pesquisa, as notas de estudantes da 4ª série do ensino fundamental e seus professores em provas de Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Na amostra, foram avaliados os dados de seis Estados brasileiros - os que tinham pior desempenho e fizeram parte do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE) entre 1999 e 2003. São eles: Rondônia, Pará, Pernambuco, Sergipe, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Os resultados mostram que cada 10 pontos a mais tirados por um professor no teste representam um aumento de, pelo menos, um ponto na nota dos alunos. Os estudantes foram avaliados em uma escala de 0 a 100. Docentes e alunos prestaram as mesmas provas.
`Temos um efeito razoável e estatisticamente significante, que aponta a necessidade de investimento em políticas para a melhoria do conhecimento do professor do conteúdo que ministra`, ressalta Raquel. Segundo ela, o efeito é duas vezes maior do que o observado em escolas públicas da Carolina do Norte, mostrado em um estudo de Charles Clotfelter, Helen Ladd e Jacob Vigdor, usado pelos pesquisadores para fazer comparações com o Brasil.
Dados escassos
As análises estatísticas feitas por Raquel e um grupo de colegas estrangeiros – Asha Sitaram e Shimpei Taguchi, de Stanford; Lucia Jardon, da Universidade de Zurique, e Lenora Robinson, da Harlem Village Academies – serão tema de palestra em um congresso da Population Association of America, em New Orleans, nos Estados Unidos, no dia 11.
`Infelizmente, os professores só participaram da avaliação em 1999. Seria fantástico se tivessem aplicado ao longo do tempo. É super difícil definir a qualidade do professor, o quanto ele sabe. O mais próximo que temos para definir um professor de boa qualidade é o conhecimento que ele tem da disciplina e o quanto ele sabe transmitir, que ainda não consegui estudar`, afirma Raquel.
Segundo ela, os estudos na área ainda são escassos e deveriam ser mais explorados, porque podem direcionar políticas públicas. `Existe um potencial muito grande para investimento na qualificação do professor. Muitas vezes, parece óbvio mas o que percebemos é que há professores que não conhecem a disciplina que lecionam. É preciso melhorar a capacitação do educador`, diz.